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Tendinite Calcária: Causas, sintomas, diagnóstico e tratamento

Tendinite Calcária: Causas, sintomas, diagnóstico e tratamento

Problema causado pela calcificação no tendão pode gerar muita dor e inflamação no ombro e tornozelo.

Existe um tipo de tendinite que não decorre de uma simples inflamação dos tendões causada por impacto (trauma) ou esforço repetitivo do membro ou articulação (contusão), mas sim, do acúmulo de fosfato de cálcio em sua estrutura (incidência conhecida como hidroxiapatita). Este acontecimento é uma forma mais grave da tendinite conhecida como “tendinite calcária”, que pode acontecer em várias partes do corpo, como pés e quadril, por exemplo, mas que são mais comuns no tornozelo (aquiles) ou no ombro (manguito rotador).

Essa ocorrência do acúmulo de fosfato de cálcio nos tendões causa uma inflamação intensa, impotência funcional, além de impedir a movimentação da articulação afetada.

A tendinite calcária é mais comum em pessoas com idade acima dos 40 anos, com maior incidência entre as mulheres.

 

Sintomas

Os principais sintomas da tendinite calcária são:

– dor intensa na região afetada;

– inflamação;

– rigidez/restrição de movimentos;

– encolhimento;

– endurecimento;

– fraqueza da articulação acometida.

 

Causas

As causas para formação da tendinite calcária não estão totalmente esclarecidas. Há quem diga que pode haver uma predisposição genética para a hidroxiapatita, mas também há outras hipóteses que relacionam sua ocorrência com a hipovascularização – que é a má circulação de sangue na região afetada e que pode ocasionar hipóxia (falta de oxigênio local) e fibrose e/ou necrose do tendão, com subsequente degeneração.

Outras linhas de estudo afirmam que pode haver uma associação da tendinite calcária com endocrinopatias (como hipotireoidismo), artrite reumatoide e até diabetes tipo 1.

Há quem associe a formação dos depósitos de cálcio por um processo que se assemelha com a ossificação endocondral, que ocorre em ritmo lento, em razão do uso repetitivo do membro.

Como nenhuma teoria única é satisfatória para explicar todos os casos, a tendinopatia calcária é considerada multifatorial.

 

Diagnóstico

Raio-X, ou exame radiográfico – Podem diagnosticar ou confirmar o diagnostico da tendinite calcária, além de sugerir a fase da doença e permitir o acompanhamento dos pacientes.

 

Ultrassonografia diagnóstica – É uma alternativa, mas quando há calcificações, sombras podem causar falsos negativos ou falsos positivos. O ultrassom diagnóstico é mais indicado em casos de pré-operatório para auxiliar a localização das calcificações e facilitar sua ressecção artroscópica.

 

Tomografia Computadoriza e Ressonância Magnética – Não são indicadas rotineiramente para esse tipo de patologia, mas podem ajudar nos diagnósticos mais difíceis e diferenciais como a tendinite ou tendinopatia simples e bursite, por exemplo.

 

Tratamento

As duas principais fases da tendinite calcária são: a formativa e a absortiva.

A formativa é a fase inicial da doença e se caracteriza por quadros de dor constante, porém de menor intensidade.

Já na fase absortiva é quando ocorrem as crises dolorosas em razão da reabsorção do fosfato de cálcio pelo organismo (este último caso deve ser tratado com analgesia/anestesia rigorosa).

 

Observação: A tendinite calcária, quando não surge como um quadro mais grave/acentuado, melhora, em média, dentro de três semanas, sem tratamento específico e apenas com o repouso da região afetada.

 

Os objetivos dos tratamentos incluem: a redução da dor e a extinção dos depósitos de cálcio. Caso haja intensidade e continuidade da dor, os tratamentos podem incluir:

 

1) Fisioterapia: Eletroanalgesia, ultrassom, laser crioterapia e o calor podem oferecer alívio sintomático, além de melhora clínica. Essas técnicas também ajudam na melhoria da biomecânica e na redução da tensão nos músculos, permitindo uma diminuição dos sintomas. A melhora da biomecânica ajuda na redução da calcificação. A ideia é promover a mobilização da área afeta dentro das possibilidades e tolerância do paciente.

 

2) Anti-inflamatórios ou injeções de esteroides locais ou sistêmicas: As injeções de corticosteróides podem ser úteis quando a região atingida está fortemente inflamada. Servem para alívio temporário da dor.

 

3) Terapia de Onda de Choque: A utilização de ondas sonoras pode ser útil pois ajuda a quebrar a calcificação e reduzir a inflamação local, estimulando a quebra e a reabsorção da calcificação pelo organismo.

 

4) Barbotagem: Consiste na uma introdução de uma agulha até a calcificação e a aspiração deste conteúdo. Durante a fase reabsortiva , a calcificação se torna pastosa e é possível de ser aspirada. É um procedimento pouco realizado, doloroso e difícil de realizar no consultório.

 

Quando há falha no tratamento conservador, com progressão dos sintomas, dor constante e comprometimento da mobilidade do paciente, o tratamento cirúrgico é indicado, e o tratamento por via artroscópica é o mais indicado.

 

5) Artroscopia: Em alguns casos em que não há reabsorção e os sintomas são persistentes, o tratamento cirúrgico pode ser necessário para a retirada da calcificação. A Artroscopia, também conhecida como Ressecção Artroscópica é mais comum quando o problema está presente no ombro (problema no manguito rotador).

O cirurgião utiliza o artroscópio para localizar o depósito de cálcio no tendão e assim que o depósito for encontrado, o cirurgião realiza a ressecção (remoção) dos depósitos de cálcio e limpa toda a área. Algumas vezes, quando os depósitos são grandes, é necessário dar pontos no tendão para evitar que ele fique fraco. A Artroscopia tem altas taxas de sucesso (cerca de 90%).

A reabilitação pós-operatória total deve ser cuidadosa e pode levar até quatro (04) meses e o paciente terá que freqüentar sessões de fisioterapia entre seis e oito semanas. O movimento do local atingido (principalmente o ombro) deve ser encorajado precocemente dependendo do tamanho das lesões.

 

 

Dr. Marcelo Costa

Ortopedista, Traumatologista, especializado em Tratamento da Dor.

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